Eu não me arrependo de nada

Picture of Pe. Sirlei Oliveira

Lancei em minhas redes sociais uma provocação perguntando: já se arrependeu de algo em sua vida? Recebi respostas como: “quem não se arrependeu de nada que atira a primeira pedra”; “de tantas coisas”; “quem nunca né”; “sim, se pudesse voltar no tempo”; certamente que sim. E tenho medo daqueles que dizem que não se arrependem de nada”.

Mas você também já deve ter ouvido algo parecido com isso: “eu só me arrependo das coisas que eu não fiz!” Ou: “eu não me arrependo de nada. Se pudesse voltar eu faria a mesma coisa!”

Para nós que buscamos constantemente o perdão de Deus através do Sacramento da Reconciliação sabemos que a contrição, o arrependimento é uma das primeiras e mais importantes graças para que realmente possamos ser perdoados por Deus. Há sempre necessidade de um exame de consciência à luz da Palavra e dos ensinamentos da Igreja.

Aqueles que não se arrependem tem a eles mesmo, o que sentem, o que acham, a maneira como vivem, como norma para suas escolhas, sem se importar com algo mais elevado. Assim, fica realmente quase que impossível o arrependimento.

São pessoas, às vezes, duras em seus corações. Que, por orgulho, na maioria das vezes, não cedem.

O Espírito Santo nos auxilia no arrependimento

Sem uma graça especial do Espírito Santo, não há realmente um arrependimento sincero. Pode acontecer um certo arrependimento por medo de reprimendas, por causa da autoimagem que precisa ser preservada ou simplesmente para se livrar da questão. Mas ainda assim não será um arrependimento profundo, verdadeiro, que leve a pessoa a uma atitude diferente.

O Espírito Santo será sempre necessário. Ele nos ajudara a vencer toda nossa arrogância e, como dito, nosso orgulho. Ele nos ajudará a perceber que o homem não pode ser referencia para ele mesmo nestas questões mais profundas. Como cantávamos na Sequencia na Missa do Espírito Santo: “sem a luz que acode, nada o homem pode”.

O arrependimento verdadeiro custa esforço. E convenhamos: não é nada fácil a gente se confrontar com nossas misérias.

O caminho que cura

Mas é no arrependimento que está realmente, não apenas a cura da alma que precisamos, mas a oportunidade de crescimento. Como saímos mais fortes das provas vencidas, também saímos quando nos arrependemos e, de alguma maneira, agimos para remendar o erro cometido.

Assim com vamos ao médico quando nos convencemos da necessidade, assim também o processo de cura começa quando temos a consciência de que erramos e precisamos dar passos decisivos para sanar isso.

Então se for tentado a dizer que não se arrepende de nada do que fez ou se arrepende apenas do que não fez, se lembre de que você não é perfeito, de que você pode sim (no sentido de possibilidade) errar. De que pode até ser um processo normal de amadurecimento humano. E que sempre haverá a possibilidade de recomeçar e fazer de um jeito mais correto.

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